Fissura anal: por que dói tanto ao evacuar e como tratar
A fissura anal é um pequeno corte no canal anal que causa dor forte para evacuar, muitas vezes em queimação ou fincada, e pode vir com sangramento vivo. A dor intensa acontece porque a região é muito sensível e o esfíncter entra em espasmo. Na maioria dos casos há tratamento, e não é preciso conviver com esse incômodo.
O que é fissura anal?
A fissura anal é uma pequena lesão, como um corte no ânus, que se forma no revestimento do canal anal. Apesar de ser uma ferida superficial e geralmente pequena, ela atinge uma região com muitas terminações nervosas, o que explica por que causa tanto desconforto.
Ela costuma surgir após a passagem de fezes muito ressecadas ou volumosas, que esticam e machucam a mucosa delicada da região. Episódios de diarreia, esforço excessivo na hora de evacuar e algumas outras condições do intestino também podem favorecer o aparecimento da fissura.
Por que a fissura anal dói tanto e sangra?
A dor ao evacuar na fissura anal é tão intensa porque o canal anal é uma das áreas mais sensíveis do corpo, rica em nervos. Quando as fezes passam pela lesão, a pessoa costuma sentir uma dor forte para evacuar, descrita como uma fincada, um corte ou uma queimação, que pode persistir por minutos ou até horas depois.
Junto com a dor, existe o espasmo do esfíncter, o músculo que controla a saída das fezes. Diante da ferida, esse músculo se contrai de forma involuntária, o que aumenta a dor e ainda dificulta a cicatrização, porque reduz a circulação de sangue no local.
O sangramento aparece porque a fissura é uma ferida aberta. Costuma ser um sangue vivo, vermelho-vivo, em pequena quantidade, percebido no papel higiênico ou por cima das fezes. Mesmo assim, qualquer sangramento merece avaliação médica para esclarecer a origem.
O ciclo vicioso da dor: medo de evacuar e prisão de ventre
A fissura anal tende a entrar em um ciclo que se retroalimenta e dificulta a melhora. Entender esse ciclo ajuda a perceber por que o problema às vezes se arrasta.
Por causa da dor forte para evacuar, muitas pessoas passam a adiar a ida ao banheiro, com medo de sentir aquele incômodo novamente. Essa fuga, porém, tende a piorar a situação.
- A dor intensa gera medo de evacuar;
- O medo faz a pessoa segurar e adiar a ida ao banheiro;
- Segurar as fezes leva a maior ressecamento e prisão de ventre;
- Fezes mais ressecadas e endurecidas machucam de novo a fissura;
- A nova lesão renova a dor e reinicia o ciclo.
Fissura anal é igual a hemorroida?
Não, a fissura anal não é a mesma coisa que hemorroida, embora as duas possam causar dor e sangramento e às vezes sejam confundidas. São problemas diferentes, com causas e características próprias.
A fissura anal é um corte, uma ferida no revestimento do canal anal, e a dor costuma ser aguda, em fincada ou queimação, principalmente durante e após evacuar. Já as hemorroidas são dilatações de vasos da região anal, que podem causar sangramento, coceira, sensação de peso e, em alguns casos, um abaulamento que se exterioriza.
Como os sintomas se sobrepõem, só uma avaliação adequada permite diferenciar com segurança. Por isso, o autodiagnóstico não substitui a consulta com um profissional.
Fissura aguda e fissura crônica: qual a diferença?
A diferença entre fissura aguda e crônica está no tempo de evolução e em como a lesão se apresenta. Saber distinguir ajuda a entender por que algumas fissuras melhoram mais rápido e outras se tornam persistentes.
A fissura aguda é a mais recente, geralmente um corte mais raso e fresco, que tende a responder melhor ao cuidado conservador quando o intestino é regularizado. A fissura crônica é aquela que persiste por mais tempo, costuma ter bordas mais endurecidas e pode vir acompanhada de outras alterações na região, exigindo uma abordagem mais cuidadosa.
Quando a dor e o sangramento se repetem por semanas ou voltam com frequência, é um sinal de que a fissura pode estar se tornando crônica e de que vale a pena buscar avaliação.
Como aliviar e o que ajuda no manejo conservador
O manejo conservador da fissura anal tem como base regularizar o intestino e amolecer as fezes, para que a passagem deixe de machucar a lesão e ela possa cicatrizar. Esses cuidados costumam fazer parte da orientação médica, mas a conduta deve sempre ser individualizada em consulta.
Entre as medidas de hábito intestinal que costumam ser orientadas estão:
- Aumentar de forma gradual o consumo de fibras, com frutas, verduras, legumes e cereais integrais;
- Manter boa hidratação, bebendo água ao longo do dia;
- Respeitar a vontade de evacuar, sem adiar a ida ao banheiro;
- Evitar o esforço excessivo e longos períodos sentado no vaso;
- Cuidar da higiene local de forma suave, sem agredir a região.
Quando pode ser preciso um procedimento ou cirurgia?
Um procedimento ou cirurgia pode ser considerado quando a fissura anal não melhora com as medidas conservadoras ou quando se torna crônica e persistente. Essa decisão é sempre individual e depende da avaliação de cada caso.
Muitas fissuras agudas respondem bem ao cuidado com o intestino e a outras orientações médicas. Quando a dor e o sangramento se mantêm apesar dos cuidados, ou quando há sinais de cronicidade, o proctologista pode discutir outras opções de tratamento, incluindo procedimentos específicos para a região.
A mensagem principal é que essa dor tem uma causa identificável e existem caminhos de tratamento. Não é preciso conviver em silêncio com o incômodo, nem ter vergonha de buscar ajuda. Na clínica em Redenção-PA, o Dr. Daniel Peralba realiza avaliações de proctologia com acolhimento e total sigilo. Se você sente dor ou nota sangramento ao evacuar, agende sua avaliação pelo WhatsApp (33) 99862-2022.
Por Dr. Daniel Peralba · Cirurgião Proctologista