Exame de sangue oculto nas fezes: como funciona e o que fazer com o resultado

O exame de sangue oculto nas fezes procura sangue que não se vê a olho nu na amostra. Ele entra no rastreamento do câncer colorretal porque pólipos e tumores do intestino podem sangrar em pequena quantidade. O resultado positivo não é diagnóstico de câncer: indica que é preciso investigar a origem do sangue, e o passo seguinte costuma ser a colonoscopia. O resultado negativo também não dispensa a avaliação médica quando há sintomas.
O que é o exame de sangue oculto nas fezes?
O exame de sangue oculto nas fezes procura sangue que não se enxerga a olho nu. As fezes podem ter cor normal e, ainda assim, carregar uma quantidade mínima de sangue, que só o laboratório consegue detectar. É daí que vem o nome: oculto quer dizer escondido. Nos laudos, ele também aparece como pesquisa de sangue oculto.
É um exame de fezes simples. Você colhe uma pequena amostra em casa, com o material que o laboratório entrega, e leva de volta para análise. Não tem agulha, não usa aparelho e não exige preparo do intestino.
Existem tipos diferentes do exame, e o pedido médico indica qual será usado. Se ficou alguma dúvida sobre a solicitação, pergunte ao médico ou ao laboratório antes de colher.
Para que serve o exame no rastreamento do câncer colorretal?
Rastrear é procurar sinais de uma doença em quem ainda não tem sintoma. No intestino grosso, pólipos e alguns tumores podem sangrar aos poucos, sem que a pessoa perceba. O exame tenta flagrar esse sangramento escondido.
Ele funciona como uma triagem. Não enxerga o intestino e não mostra o que está causando o sangue: apenas sugere se existe motivo para olhar de perto. Quem olha de perto é a colonoscopia, exame que mostra o intestino por dentro. Para entender como ela funciona, leia colonoscopia: a partir de que idade fazer.
Quem deve fazer o exame, e de quanto em quanto tempo, depende da idade, do histórico familiar e dos sintomas. Essa decisão é individual. Se você nunca conversou com um médico sobre rastreamento, esse é o primeiro passo.
Como colher o exame de sangue oculto nas fezes?
A coleta é feita em casa, com o frasco ou o kit que o laboratório fornece, e as instruções vêm junto. Siga o papel do seu laboratório, porque o número de amostras e o jeito de guardar variam conforme o tipo de exame.
De forma geral, as orientações costumam incluir:
- Evacuar sem deixar as fezes entrarem em contato com a água do vaso nem com a urina.
- Retirar uma pequena porção com o palito ou a espátula do kit, do jeito que o laboratório indicar.
- Identificar o frasco com o seu nome e a data da coleta.
- Entregar no prazo e da forma combinados, já que alguns exames pedem que a amostra seja mantida refrigerada.
- Avisar o médico se houver menstruação ou sangramento visível de hemorroida ou fissura no dia, porque isso pode alterar o resultado sem ter relação com o intestino grosso.
Alguns tipos de exame pedem restrição de certos alimentos e medicamentos antes da coleta, e outros não. Pergunte ao laboratório e não suspenda nenhum remédio por conta própria: quem decide isso é o seu médico.
O que significa um resultado positivo no exame de sangue oculto?
Positivo quer dizer que foi encontrado sangue na amostra. Não quer dizer que você tem câncer.
Esse sangue pode vir de várias origens, como hemorroida, fissura, pólipo, inflamação do intestino ou, em alguns casos, uma lesão mais séria. O exame não diz de onde o sangue saiu, só que ele está lá.
Por isso, o positivo é um sinal para investigar, não um diagnóstico. O caminho costuma ser a colonoscopia, que permite ver o intestino por dentro e, se for preciso, retirar pólipos ou colher uma amostra para análise. A conduta depende da avaliação individual, mas o habitual é seguir para a colonoscopia, e não repetir o exame na esperança de que o próximo saia negativo.
Se o seu resultado veio positivo, leve o laudo ao médico que pediu o exame e combine os próximos passos. Esclarecer a origem do sangue tira a dúvida e orienta o cuidado.
Resultado negativo significa que está tudo bem?
O negativo é uma boa notícia, mas não é um atestado de saúde do intestino. Uma lesão pode não sangrar na semana da coleta, e o exame pode deixar passar alterações. Por isso o rastreamento costuma ser repetido ao longo do tempo, no intervalo que o médico indicar.
Se você tem sintomas, o negativo não encerra a conversa. Sangue visível nas fezes, mudança do hábito intestinal que não melhora, emagrecimento sem motivo e anemia pedem avaliação mesmo com o exame negativo. Esses sinais estão explicados em sinais do câncer colorretal.
Se algum deles faz parte da sua rotina, marque a consulta em vez de esperar o próximo exame.
E se eu já vejo sangue nas fezes, devo fazer esse exame?
Se você enxerga sangue no papel, no vaso ou sobre as fezes, o exame de sangue oculto não é o caminho. Ele serve para o sangue que não se vê, em quem não tem queixa. Sangramento visível pede consulta, exame da região anal e, conforme o caso, colonoscopia.
Hemorroida e fissura estão entre as causas mais comuns de sangue vivo ao evacuar, mas só a avaliação confirma a origem. Para entender melhor, leia sangue nas fezes: causas comuns e quando procurar um proctologista.
Anote desde quando o sangue aparece, com que frequência e se há dor, e leve essas informações para a consulta.
Por que 27 de novembro é uma boa data para pensar nisso?
O dia 27 de novembro é o Dia Nacional de Combate ao Câncer. É uma data que lembra que o cuidado com a saúde pode começar antes de qualquer sintoma, e o rastreamento do intestino entra nessa conversa.
Se você está na idade de iniciar o rastreamento, tem familiar com câncer colorretal ou pólipos, ou simplesmente nunca falou sobre o intestino com um médico, use a data como prazo para marcar a avaliação que ficou pendente.
O Dr. Daniel Peralba, cirurgião proctologista (CRM 20611/PA, RQE 10316), atende em Redenção, no Pará, e recebe pacientes de cidades próximas. Para agendar, o contato é pelo WhatsApp (94) 99254-5689.
Por Dr. Daniel Peralba · Dr. Íntimo · Cirurgião Proctologista